Calos grotescos nos nós dos dedos,
Palma da mão preta de grafite,
Uma cabeça cansada de pensar,
Por trás dos escritos que revelam medos.
Um pouco de capuccino basta para me acalmar,
Ao seu lado um velho caderno aberto,
Logo na folha o lápis começa a trabalhar,
Sentimentos no branco, agora eternos.
Coisas que só um papel pode ouvir,
Da ponta de um lápis que tudo quer contar,
Desde as dores de seus pecados,
Até a vontade de amar.
No sofá me sento para as palavras tentar rimar,
Tiro uma frase, corto outra,
Nas linhas azuis desejo fugir,
Mas por elas só posso andar
Muito tranquilamente transformando em estrofe,
Cada palavra perdida nas tristezas de um mar.
Poder criar,
Reinventar,
Poder até arruinar se quiser, não?
Até as maiores vontades de um reprimido coração,
Entre as linhas deste caderno,
Que pelos pensamentos por vezes inúteis,
Me levam a imensidão.
-
foolsonparade posted this
